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	<title>FEAK &#8211; Fundação Espírita Allan Kardec &#8211; Juiz de Fora MG</title>
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	<description>Conheça a Fundação Allan Kardec (FEAK), em Juiz de Fora MG. Promovemos caridade, estudo espírita e evolução espiritual. Conheça nosso trabalho e participe de nossas ações</description>
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	<title>FEAK &#8211; Fundação Espírita Allan Kardec &#8211; Juiz de Fora MG</title>
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		<title>Vazio existencial e desgosto pela vida: como enfrentar</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:32:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Você já sentiu, mesmo num dia comum em que nada de errado aconteceu, um aperto no peito? Uma sensação estranha de estar meio sem rumo, como um navio à deriva no meio do oceano, sentindo que falta algo, mas sem conseguir dar nome ao problema? Se a resposta for sim, saiba de uma coisa: ninguém...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Você já sentiu, mesmo num dia comum em que nada de errado aconteceu, um aperto no peito? Uma sensação estranha de estar meio sem rumo, como um navio à deriva no meio do oceano, sentindo que falta algo, mas sem conseguir dar nome ao problema?</p>
<p>Se a resposta for sim, saiba de uma coisa: ninguém está imune a isso. Em algum momento da vida, por mais ou menos tempo, todos nós nos deparamos com o chamado vazio existencial ou com um certo desgosto pela vida.</p>
<p>Como dizem na área da saúde: um bom diagnóstico é meio caminho andado para a cura. Quando damos nome ao problema, identificamos sua origem e compreendemos como ele se desenvolve, fica muito mais fácil traçar um plano de ação concreto. E é exatamente isso que faremos aqui: entender de onde vem esse vazio e como a Doutrina Espírita e o Evangelho de Jesus nos oferecem ferramentas práticas para superá-lo de verdade.</p>
<p>Para começar essa investigação, vale a pena recorrer a O Livro dos Espíritos. Na questão 943, Allan Kardec é extremamente direto ao perguntar sobre a origem do desgosto pela vida que se apodera de algumas pessoas sem motivos plausíveis (diferentemente, é claro, das situações normais de dor, perda ou calamidade). E a resposta dos Espíritos Superiores não vem com rodeios. Às vezes, a espiritualidade nos dá umas “lambadas” amorosas para nos acordar. Eles respondem que esse desgosto é: “Efeito da ociosidade, da falta de fé e, não raro, da saciedade” [1].</p>
<p>Vamos desmembrar esses três pontos:</p>
<ul>
<li><strong>Ociosidade:</strong> Não significa apenas “não fazer nada”. Trata-se de não estar se colocando no mundo de forma útil. É não empregar as habilidades, dons e talentos que Deus nos deu. Nós podemos enganar o mundo inteiro, mas não a nós mesmos. Lá no fundo, nosso Espírito sabe quando estamos vivendo abaixo do nosso potencial.</li>
<li><strong>Falta de fé:</strong> Não se trata de simplesmente se declarar espírita, católico ou evangélico. Trata-se da ausência de uma fé viva, ativa e dinamizadora, que se traduz em atitudes diárias e não em meros rótulos religiosos.</li>
<li><strong>Saciedade:</strong> Como assim saciedade? A saciedade aqui se refere à acomodação com os desejos materiais básicos. Muitas vezes, conquistamos o mínimo para sobreviver – um teto, comida, um certo conforto – e dizemos: “Pronto, agora vou descansar, ninguém é de ferro”.</li>
</ul>
<p>O problema é que somos Espíritos imortais, herdeiros do Reino de Deus. Quando nos acomodamos com tão pouco, surge um desalinhamento profundo entre o que nossa alma necessita para evoluir e o que estamos oferecendo a ela no dia a dia.</p>
<p>No Evangelho de Mateus, Jesus nos apresenta a Parábola dos Talentos [2], que ganha um sentido muito claro quando analisada à luz do Espiritismo. Um homem, ao viajar, confia seus bens aos seus servos: a um dá cinco talentos, a outro dois e a outro um – a cada qual segundo a sua capacidade. Deus nunca nos sobrecarrega com responsabilidades além do que aguentamos, mas também não espera pouco de nós.</p>
<p>O servo que recebeu cinco talentos negociou e produziu mais cinco. O que recebeu dois produziu mais dois. Ambos foram elogiados por seu senhor: “Bem está, servo bom e fiel…” [3]. Porém, o servo que recebeu apenas um talento, com medo de errar e alegando que o senhor era rigoroso, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro. Quando o senhor voltou, devolveu o talento intacto.</p>
<p>Repare num detalhe crucial: esse servo não usou o talento para roubar, nem para prejudicar ninguém, nem o gastou com vícios ou para satisfação pessoal. Ele simplesmente não fez nada. Manteve-se inativo. E a resposta do senhor foi dura: chamou-o de “servo mau e negligente” [4] e o condenou a choro e ranger de dentes.</p>
<p>Todos nós fomos dotados por Deus de virtudes, recursos, inteligência e oportunidades únicas. A pergunta que precisamos nos fazer todos os dias é: o que estamos fazendo com os talentos que nos foram emprestados? Estamos multiplicando esses recursos através da caridade e do trabalho útil, ou estamos apenas devolvendo a vida sem nenhum fruto adicionado?</p>
<p>Em várias passagens, o Evangelho nos alerta sobre a gravidade da omissão:</p>
<ul>
<li><strong>Jesus e a figueira estéril:</strong> Ao procurar frutos em uma figueira cheia de folhas e não encontrar nada, o Mestre a seca. As folhas representam a aparência, a casca, o discurso religioso bonito; os frutos representam as obras reais.</li>
<li><strong>A justiça dos escribas e fariseus:</strong> Jesus avisa que, se a nossa justiça não exceder a dos religiosos formais, não entraremos no Reino dos Céus.</li>
<li><strong>Servos inúteis:</strong> O Evangelho nos lembra de que fazer apenas aquilo a que somos estritamente obrigados faz de nós “servos inúteis” [5]. A virtude exige a iniciativa própria, o ir além, o fazer o bem sem ser empurrado pelas circunstâncias.</li>
</ul>
<p>Nós somos constituídos de uma dimensão material e de uma dimensão espiritual. Quando devotamos cem por cento do nosso tempo, energia e preocupação apenas às necessidades da matéria (comida, status, lazer fútil, bens materiais), a nossa dimensão espiritual fica completamente desnutrida. É exatamente esse abismo que gera o “rombo” do vazio existencial. Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” [6]. O mundo consegue preencher os nossos sentidos físicos por alguns instantes, mas não consegue preencher a alma.</p>
<p>Se, ao ler tudo isso, você sentiu um desconforto interno e percebeu que tem vivido no “modo automático”, parabéns: esse é o primeiro passo para a transformação.</p>
<p>No livro Autodescobrimento, Joana de Ângelis estabelece três requisitos fundamentais que precisam ser rigorosamente respeitados por quem deseja passar por um processo sério de renovação pessoal:</p>
<ul>
<li><strong>Insatisfação consciente:</strong> É o choque de realidade. É o sentimento de desconforto com a situação atual, percebendo que a forma como se está vivendo não é suficiente. Enquanto a pessoa se comprazer na mediocridade ou se vitimizar atrás de diagnósticos e desculpas sem buscar sair do lugar, nada muda.</li>
<li><strong>Desejo sincero de mudança:</strong> Estar insatisfeito não basta; é preciso querer mudar de verdade. Foi por isso que Jesus perguntava aos cegos e paralíticos que o procuravam: “Que queres que eu te faça?” [7]. Parece uma pergunta óbvia, mas não é. Muitas pessoas se afeiçoam aos seus próprios sofrimentos e vícios porque eles trazem algum tipo de ganho secundário (como atenção, autopiedade ou fuga de responsabilidades). Mudar exige romper com zonas de conforto que muitas vezes nos alimentam de forma doentia.</li>
<li><strong>Persistência no tentame:</strong> Esta é a etapa em que a maioria fraqueja. Começar uma rotina de estudos, de caridade ou de reforma íntima no impulso da empolgação é fácil; o difícil é manter a constância quando surgem as primeiras dificuldades, o cansaço do trabalho ou as tentações da rotina. A mudança exige esforço continuado e reiteração diária.</li>
</ul>
<p>A verdadeira autoaceitação não significa acomodação. Aceitar-se não é dizer “eu sou assim mesmo e não vou mudar”. Aceitar-se é encarar a si mesmo de frente, reconhecendo honestamente as próprias qualidades para exercitá-las, e identificando as próprias sombras e vícios não para se punir, mas para colocar as mãos na massa com o objetivo de vencê-los.</p>
<p>Vivenciar a prática espírita e cristã de verdade é justamente isso: não é fugir do mundo, mas viver no mundo sem pertencer às suas ilusões. É sair da ociosidade, multiplicar os talentos recebidos e entender que fomos criados para voar alto. Quando colocamos nossos dons a serviço do bem e mantemos a mente conectada com o Alto, o vazio existencial desaparece, dando lugar a uma paz profunda e à certeza de estarmos no caminho certo.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] O Livro dos Espíritos, Questão 943.<br />
[2] Mateus, 25:14-30.<br />
[3] Mateus, 25:21.<br />
[4] Mateus, 25:26.<br />
[5] Lucas, 17:10.<br />
[6] João, 14:27.<br />
[7] Marcos, 10:51.</p>
<p class="has-text-align-right">Caio Almeida</p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/vazio-existencial-e-desgosto-pela-vida-como-enfrentar/">Vazio existencial e desgosto pela vida: como enfrentar</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Jesus para o homem</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:30:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aproveitando momentos de reflexão, verificamos que Emmanuel desdobra belíssima frase do apóstolo Paulo, quando este dizia à comunidade de Filipos: “[…] E, achado em forma como homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” [1]. O Benfeitor inicia mostrando que o Cristo, Jesus, veio das esferas siderais para cada...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveitando momentos de reflexão, verificamos que Emmanuel desdobra belíssima frase do apóstolo Paulo, quando este dizia à comunidade de Filipos: “[…] E, achado em forma como homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” [1].</p>
<p>O Benfeitor inicia mostrando que o Cristo, Jesus, veio das esferas siderais para cada um de nós e, nessa demonstração amorosa, há 4,5 bilhões de anos já recebera do Pai Celestial a incumbência de criar nosso sistema solar, o que fez demonstrando seu imenso amor por aqueles irmãos que, ao longo dos milênios, viriam habitá-lo. Valendo-se do amor imenso que irradia, cobriu ou envolveu nosso planeta com camadas atmosféricas, tantas quantas foram necessárias para que ficássemos protegidos das intempéries da natureza, tais como os raios solares nocivos à saúde dos homens. Assim, também ficamos protegidos dos meteoritos que, em razão da descondensação de estrelas e astros em geral, são gerados e sobre a Terra cairiam, não fosse esse abraço constante e cálido da mãe Natureza.</p>
<p>Ampliando nosso saber, Emmanuel elenca vários contrapontos, verdadeiros pontos de luz a iluminar nossos caminhos; na verdade, verdadeiros poemas, que nos emocionam profundamente, quando nos diz: “O Mestre desceu para servir”, “Do esplendor à escuridão” [2]. Convida-nos, assim, a uma profunda meditação, porquanto Jesus, saindo das esferas luminescentes, chega a esta esfera ainda escura por nossos erros e nossas paixões e demonstra, desde a simples manjedoura até o Calvário, que veio para servir, revelando o tamanho do amor, ainda que não o entendêssemos.</p>
<p>Emmanuel continua a escrever esse poema de luz no capítulo 62 do livro Pão Nosso, enriquecendo-nos o coração quando nos traz a citação “Do infinito à limitação, da glória à carpintaria” [2]: da infinitude cósmica, em que se situam as tantas moradas do Pai, distribuídas de acordo com os teores vibratórios de nossos corações, à limitação de nossas existências, nas quais ainda não entendemos o valor do amor, que continua sendo nosso maior desafio… amar incondicionalmente, exercitar sempre a compaixão.</p>
<p>Exemplificando e servindo sempre, o Mestre dedica-se à carpintaria de seu pai, que representava o Pai, em cuja companhia pôde ensinar-nos que servir é dever de todos e que somente assim poderemos crescer e superar nossas limitações, despojando-nos do egoísmo, do interesse pessoal e de tantos outros vícios que nos prendem às teias do primarismo e limitam nosso caminhar para a luz.</p>
<p>Sem a preocupação de registrar aqui todo o poema de Emmanuel, transcrevemos apenas mais uma citação: “Humilhou-se e apagou-se para que o homem se eleve e brilhe para sempre” [2]. A necessidade de elevar-se, de brilhar, era premente, como infelizmente ainda continua sendo, uma vez que o Mestre se deixou imolar, doou-se à humanidade, apagou-se mesmo, para que fôssemos luz.</p>
<p>Hoje, quando “os tempos são chegados” [3], o Divino Messias convida-nos, a cada instante, a fazer brilhar nossa luz [4]; afinal, ante a escuridão de tantos erros e de tantos equívocos que se multiplicam, nunca precisamos tanto d’Ele, o amor que inunda, que nos alimenta e nos nutre de esperança.</p>
<p>Que possamos, meditando um pouco, perceber que os Espíritos do Senhor, ao responderem a Allan Kardec nas 1.019 questões que compõem a magistral obra O Livro dos Espíritos, afirmam, na questão 625, que Jesus é o guia e modelo da humanidade; e que, afastada qualquer dúvida, prossigamos com Ele, até porque Ele mesmo já havia dito: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” [5].</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] Filipenses, 2:8.<br />
[2] Pão Nosso, Capítulo 62.<br />
[3] A Gênese, Capítulo XVIII.<br />
[4] Mateus, 5:16.<br />
[5] João, 14:6.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Geraldo Sebastião Soares</strong></p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/jesus-para-o-homem/">Jesus para o homem</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Posvenção: sobreviventes enlutados pelo suicídio</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:27:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os órgãos governamentais e a sociedade civil, por meio do Setembro Amarelo, realizam campanha de prevenção à morte por suicídio, pois estima-se que, para cada suicídio, 135 pessoas podem ser impactadas por essa morte, o que desperta, cada vez mais, a importância da posvenção, que se refere ao cuidado no luto por suicídio [1]. Esse...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os órgãos governamentais e a sociedade civil, por meio do Setembro Amarelo, realizam campanha de prevenção à morte por suicídio, pois estima-se que, para cada suicídio, 135 pessoas podem ser impactadas por essa morte, o que desperta, cada vez mais, a importância da posvenção, que se refere ao cuidado no luto por suicídio [1]. Esse tipo de luto acaba por se caracterizar como um luto mais difícil, solitário e cheio de interrogações, para as quais não se obtêm respostas satisfatórias, ficando o enlutado preso nos “E se…”.</p>
<p>Diante desse contexto de medo, insegurança, dúvidas e culpa, a consoladora Doutrina Espírita tem muito a oferecer aos enlutados, por meio do arcabouço teórico fundamentado na Codificação Kardequiana e no Evangelho do Cristo, bem como pelos trabalhos realizados nos centros espíritas — esclarecimento, acolhimento e tratamento —, em diversas atividades, como as que são realizadas na Fundação Espírita Allan Kardec (FEAK): Atendimento Fraterno, Grupo de Valorização da Vida, Reunião de Entes Queridos, Saúde e Autoconhecimento, SOS Preces, dentre outras possibilidades.</p>
<p>A pluralidade das existências – a reencarnação – constitui-se como a possibilidade bendita do renascimento, para que o processo evolutivo espiritual se desenvolva e atinja a sua finalidade, o que, por si só, traz esperança e consolo para os sobreviventes enlutados pelo suicídio, pois nada está perdido. Pelo contrário, essa certeza balsamiza as feridas deixadas pelo ato intempestivo da retirada antecipada da vida corporal. Ter a certeza de que ninguém se encontra desamparado, seja no plano físico, seja no plano espiritual, renova a esperança e fortalece a fé diante da misericórdia divina na jornada do Espírito imortal; o reencontro das almas queridas é uma certeza.</p>
<p>Por conseguinte, tal garantia se confirma quando Jesus, por meio da narrativa do evangelista João, deixa claro que ninguém ficará perdido, pois asseverou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem, e eu lhes dou a vida eterna. Nunca mais, por todo sempre, elas perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” [2].</p>
<p>Em face do exposto, observa-se que a Doutrina Espírita muito pode contribuir para a posvenção, pois traz sentido à existência corporal e espiritual, demonstrando que a vida não termina no túmulo, mas se amplia a cada nova experiência, por meio da lei do progresso.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] Instituto Vita Alere, Cartilha Posvenção: Orientações para Cuidado ao Luto por Suicídio.<br />
[2] João, 10:27-28 — Novo Testamento: Tradução de Haroldo Dutra Dias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Afonso Celso Martins Pereira</strong></p>
<p>&nbsp;</p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/posvencao-sobreviventes-enlutados-pelo-suicidio/">Posvenção: sobreviventes enlutados pelo suicídio</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Tribunais ambulantes</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:24:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É o que somos com nossos julgamentos precipitados, levianos muitas vezes. As aparências e a falta de conhecimento completo dos fatos e circunstâncias levam-nos a essas atitudes indesejáveis, comprometendo-nos moralmente. Não conhecemos as razões profundas, as causas reais, os fatores envolvidos, as dores das raízes, e nos deixamos levar por antecipações no julgar, como se...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É o que somos com nossos julgamentos precipitados, levianos muitas vezes. As aparências e a falta de conhecimento completo dos fatos e circunstâncias levam-nos a essas atitudes indesejáveis, comprometendo-nos moralmente. Não conhecemos as razões profundas, as causas reais, os fatores envolvidos, as dores das raízes, e nos deixamos levar por antecipações no julgar, como se tribunais fôssemos — daí o adjetivo “ambulantes”, no caso. Andamos e vivemos julgando e, pior, não desejamos ser julgados…</p>
<p>O “não julgueis” [1], também constante do Capítulo X — “Bem-Aventurados Aqueles que São Misericordiosos” [2] —, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, após transcrições de Mateus e João, apresenta, em apenas três parágrafos, a lúcida apreciação do Codificador.</p>
<p>Comenta Kardec no exclusivo item 13 do citado capítulo [3]:</p>
<p>a) “[…] Esta máxima nos faz da indulgência um dever, porque não há ninguém que dela não tenha necessidade […]”, referindo-se ao “[…] atire a primeira pedra” [4], na conhecida passagem de Jesus. E acrescenta com sabedoria: “[…] Antes de censurar uma falta de alguém, vejamos se a mesma reprovação não pode recair sobre nós”.</p>
<p>b) “Reprimir o mal ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam.” São os dois motivos da censura lançada a alguém. O primeiro deles pode até ser um dever, mas o segundo cai na maledicência e na maldade, normalmente calculada.</p>
<p>c) Referindo-se ao fato de que Jesus, claro, não podia proibir a censura ao mal, quis dizer que “[…] a autoridade da censura está em razão da autoridade moral daquele que a pronuncia […]”.</p>
<p>O referido item 13 é muito precioso, mas fica ainda mais enriquecido com os itens 16 a 21 das Instruções dos Espíritos, especialmente no subtítulo “A Indulgência”.</p>
<p>José, Espírito protetor; João, bispo de Bordéus; Dufétre, bispo de Nevers, e São Luiz assinam as considerações ali presentes, com aprofundamento da questão e coerentes orientações.</p>
<p>Com ênfase, queremos recomendar aos leitores o estudo desses itens. Dada a profundidade dos ensinos ali constantes, é melhor buscar os textos na íntegra do que ficar destacando trechos. Entre eles, o que mais chama a atenção é o que foi respondido por São Luiz no item 21:</p>
<p>“Há casos em que seja útil revelar o mal de outrem?” [5]</p>
<p>O fato, porém, é que, no estágio em que estamos, nenhuma ou pouquíssima autoridade temos para julgarmos atos alheios. Ainda não conseguimos em nós mesmos o que censuramos nos outros… Perdemos, pois, a utilidade e a moralidade da crítica.</p>
<p>Concluo com a essência comum dos textos: sejamos antes severos conosco mesmos — temos muito para melhorar em nós mesmos —, em vez de nos tornarmos desatentos e precipitados julgadores da vida alheia, como se fôssemos autênticos tribunais ambulantes.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] Mateus, Capítulo VII, Versículos 1-2.<br />
[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo X.<br />
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo X, Item 13.<br />
[4] João, 8:7.<br />
[5] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo X, Item 21.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Orson Peter Carrara</strong><br />
Fonte: <a href="https://orsonpetercarrara.blogspot.com/">https://orsonpetercarrara.blogspot.com</a><br />
(autorizado pelo autor)</p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/tribunais-ambulantes/">Tribunais ambulantes</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>A cultura da pressa e o direito de ser criança</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:21:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos numa época marcada pela velocidade. Queremos respostas imediatas, resultados rápidos, comunicação instantânea e produtividade constante. A tecnologia encurtou distâncias, acelerou processos e transformou profundamente a maneira como trabalhamos, estudamos e nos relacionamos. Entretanto, essa cultura da pressa, tão presente no mundo adulto, tem alcançado também a infância. Estaremos respeitando os propósitos espirituais da infância...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos numa época marcada pela velocidade. Queremos respostas imediatas, resultados rápidos, comunicação instantânea e produtividade constante. A tecnologia encurtou distâncias, acelerou processos e transformou profundamente a maneira como trabalhamos, estudamos e nos relacionamos. Entretanto, essa cultura da pressa, tão presente no mundo adulto, tem alcançado também a infância.</p>
<p>Estaremos respeitando os propósitos espirituais da infância quando transformamos a criança em uma pequena adulta, submetida a uma rotina de exigências contínuas?</p>
<p>Allan Kardec faz distinção entre instrução e educação moral [1]. Nossa época valoriza intensamente a instrução: idiomas, tecnologia, desempenho acadêmico, capacitações diversas. Contudo, a missão principal dos pais é auxiliar o desenvolvimento moral do Espírito reencarnado. Uma criança pode aprender três idiomas, mas ter dificuldades em compartilhar, perdoar, respeitar, controlar impulsos e desenvolver empatia. Essas virtudes frequentemente são exercitadas justamente nos momentos mais simples da infância, especialmente nas brincadeiras espontâneas e na convivência familiar.</p>
<p>Talvez a pergunta mais importante não seja quantas atividades nossos filhos realizam, mas que tipo de seres humanos estão se tornando.</p>
<p>A obstinação pela produtividade pode atingir a educação dos filhos. Muitas vezes os pais desejam oferecer tudo o que não tiveram e, movidos pelo afeto, acabam privando a criança de algo essencial: o tempo. Tempo para brincar, para imaginar, para observar a natureza. Tempo para simplesmente ser criança. Diminuir a carga de cobranças diárias e permitir que o pequeno simplesmente brinque é um ato de amor e responsabilidade espiritual.</p>
<p>Quando Jesus colocou uma criança no centro de seus ensinamentos, não destacou seus conhecimentos, talentos ou realizações. Chamou a atenção para sua espontaneidade, sua confiança e sua capacidade de aprender. Talvez a cultura da pressa esteja nos fazendo esquecer essa lição. Enquanto nos preocupamos em preparar a criança para o futuro, corremos o risco de não respeitar o presente que Deus lhe concedeu: a própria infância, pois esta não é um simples estágio biológico, mas uma ferramenta pedagógica da Lei Divina. Se Deus concede ao Espírito um período de fragilidade e dependência, é porque há objetivos educativos que não devem ser negligenciados.</p>
<p>Educar é preparar para a vida, mas também é permitir que cada etapa da existência cumpra sua finalidade nos planos da Providência Divina.</p>
<p>Que saibamos resguardar o direito ao riso frouxo, ao pé descalço na terra e à imaginação livre. Afinal, para construir o homem de bem do amanhã, precisamos, primeiro, garantir a leveza da criança de hoje.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] O Livro dos Espíritos, Questão 917.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Verônica Azevedo</strong></p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/a-cultura-da-pressa-e-o-direito-de-ser-crianca/">A cultura da pressa e o direito de ser criança</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Comentando Kardec</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:18:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XXVII Eficácia da prece Seja o que for que peçais na prece, crede que obtereis e concedido vos será o que pedirdes [1]. Há quem conteste a eficácia da prece. Dizem que, conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna expor-lhas [2]. O que Deus sempre nos concederá, se...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O Evangelho Segundo o Espiritismo</strong></p>
<p><strong>Capítulo XXVII</strong></p>
<p><strong>Eficácia da prece</strong></p>
<ol>
<li>Seja o que for que peçais na prece, crede que obtereis e concedido vos será o que pedirdes [1].</li>
<li>Há quem conteste a eficácia da prece. Dizem que, conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna expor-lhas [2].</li>
<li>O que Deus sempre nos concederá, se pedirmos com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Ajuda-te, e o Céu te ajudará.
<p>Qual o caráter geral da prece? Orar é nos aproximarmos de Deus, é nos colocarmos em comunicação com Ele. Por meio da prece, podemos louvar — ou seja, bem dizer —, pedir, que é o que fazemos constantemente, e agradecer as muitas bênçãos recebidas.</p>
<p>O hábito da oração deve ser diário: ao nos levantarmos, elevemos uma prece de agradecimento pelo descanso do corpo; antes das refeições, elevemos nossos pensamentos ao Senhor pelo alimento que nos nutre; e, antes do repouso, sejamos sempre gratos pelo dia que se encerra.</p>
<p>Fazer prece não tem hora marcada; sempre que sentimos uma tristeza, um desânimo ou uma angústia, é momento de cerrar os olhos e nos comunicarmos com nossos mentores, nossos espíritos familiares, e pedirmos equilíbrio, bom ânimo, para tomarmos a escolha certa. Em vez de gastarmos tempo alimentando o lixo mental, é hora de orarmos e nos abastecermos nos reservatórios divinos, infindáveis em inspiração, amparo e iluminação, para darmos passos na direção certa.</p>
<p>Joanna de Ângelis nos ensina [3] que, quando uma família ora em casa, reunida nas blandícias do Evangelho, toda a rua recebe o benefício da comunhão com o Alto.</p>
<p>Se alguém, num edifício de apartamentos, alça aos Céus a prece da comunhão em família, todo o edifício se beneficia, qual lâmpada ignorada, acesa na ventania.</p>
<p>Essa passagem vem nos ensinar a importância da oração individual ou coletiva, que traz sempre resultados positivos, os quais nos ajudam a vencer as tempestades e os desafios que a vida nos apresenta.</p>
<p>Lembremos que nunca estamos sozinhos e que vamos atrair aqueles que se afinam com o nosso modo de pensar. O que temos cultivado com nossos pensamentos? Luz ou confusão? Atrairemos para o nosso entorno aqueles que gostam das mesmas coisas que nós. Se escolhemos a fofoca, teremos companheiros fofoqueiros. Se optamos pela leitura edificante e o estudo, teremos melhores companhias.</p>
<p>Como é importante estarmos atentos às nossas companhias espirituais e termos serenidade para agir! A oração ajuda a clarear as ideias, permitindo tomar decisões mais ponderadas em momentos de crise, em vez de agir por impulso.</p>
<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-large is-resized"><img decoding="async" class="imgBordaCenter  wp-image-1055" src="http://jornalcare.radioevoluir.com/wp-content/uploads/2021/12/Pag11_2.png" sizes="(max-width: 822px) 100vw, 822px" srcset="https://jornalcare.radioevoluir.com/wp-content/uploads/2021/12/Pag11_2.png 822w, https://jornalcare.radioevoluir.com/wp-content/uploads/2021/12/Pag11_2-300x251.png 300w, https://jornalcare.radioevoluir.com/wp-content/uploads/2021/12/Pag11_2-768x644.png 768w, https://jornalcare.radioevoluir.com/wp-content/uploads/2021/12/Pag11_2-400x335.png 400w" alt="" width="201" /></figure>
</div>
<p>Os mentores sugerem que usemos a “prece relâmpago” quando passamos por momentos de perigo ou quando outros estão em crise.</p>
<p>Elevar o pensamento a Deus e solicitar em favor daquele que está em grande desafio. É simples e eficaz.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] Marcos, 11:24.<br />
[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXVII, Item 6.<br />
[3] SOS Família, Jesus Contigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Ângela M. Camargo</strong></p>
</li>
</ol><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/comentando-kardec-6/">Comentando Kardec</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Heteronomia e autonomia moral em Jesus</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:15:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na filosofia moral, distingue-se entre moral heteronômica e moral autonômica (ou autônoma). Heteronomia significa “lei vinda de fora”. Autonomia significa “lei que a razão dá a si mesma”. Na moral heteronômica, a ação moral é guiada por autoridades externas ou por consequências, não pela consciência racional própria. A regra moral vem de fora: pais, professores,...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na filosofia moral, distingue-se entre moral heteronômica e moral autonômica (ou autônoma). Heteronomia significa “lei vinda de fora”. Autonomia significa “lei que a razão dá a si mesma”.</p>
<p>Na moral heteronômica, a ação moral é guiada por autoridades externas ou por consequências, não pela consciência racional própria. A regra moral vem de fora: pais, professores, igreja, estado, tradição, medo de punição ou desejo de recompensa. O valor moral do ato depende da autoridade que manda ou das consequências (castigo/recompensa). A intenção do agente é pouco considerada.</p>
<p>Na moral autonômica, por sua vez, a ação moral nasce da consciência racional e responsável do sujeito. O indivíduo compreende, aceita e justifica a norma. A moral se baseia na intenção, no respeito ao outro e em princípios universais. A obediência não é cega, mas reflexiva. A responsabilidade é pessoal.</p>
<p>Fica evidente, pelo exposto, que a filosofia moral de Jesus se assenta em uma moral heteronômica: os atos equivocados são avaliados e julgados por figuras exteriores ao faltoso: “juízo do tribunal”, “juízes”, “Grande Conselho”.</p>
<p>Em uma ética autonômica (a consciência avalia e dita as consequências), “juízo do tribunal, Grande Conselho e fogo da geena” representam estados mentais: a consciência atormentada pela culpa e pela vergonha, emoções que evoluíram em benefício de uma relação pacífica entre as pessoas.</p>
<p>Por que teria Jesus optado por uma forma de moral punitivista, definida não pela consciência do culpado, mas por forças que o transcendem? Possivelmente, pela pouca capacidade de entendimento de uma sociedade não afeita a temas de certa complexidade psicológica, como consciência, culpa, emoções morais etc.</p>
<p>Para Kardec, “só a ideia de um deus terrível podia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos” [1].</p>
<p>Apesar de a moral estar voltada para o cumprimento de normas exteriormente estabelecidas, vê-se claramente que o pensamento de Jesus se notabiliza por propor uma atitude mais cordata em relação ao próximo, ocupando-se de questões relacionadas ao bom trato com ele: equivoca-se aquele que se ira perante o próximo ou simplesmente o chama de tolo [2].</p>
<p>Caracteriza-se também, apesar do caráter normativo, por apresentar princípios relacionados às consequências dos atos, mostrando que toda atitude que interfere no bem-estar de outras pessoas gera consequências. Esse pensamento foi fortemente desenvolvido por Kardec e pelas obras espíritas subsidiárias e, tradicionalmente, reconhecido nas expressões: “causa e efeito” e “ação e reação”.</p>
<p>É possível que a proposta de uma moral heteronômica (sujeição a regras e leis impostas por fontes externas, como pais, sociedade ou religião, em vez de pela própria consciência) se tenha dado pela falta de recursos mentais que possibilitassem às mentes daquela época e naquela região a compreensão de ideias que implicam evidente subjetividade.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo I, Item 2.<br />
[2] Mateus, 5:22.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Ricardo Baesso de Oliveira</strong></p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/heteronomia-e-autonomia-moral-em-jesus/">Heteronomia e autonomia moral em Jesus</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Fé e razão à luz do Espiritismo</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:12:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No senso comum (e mesmo para muitos intelectuais e filósofos), fé e razão são conceitos contraditórios. Precisamos entender que não são. No Ocidente, a razão já era usada na Grécia Antiga há mais de 2.500 anos para explicar o mundo através do pensamento lógico. Vale notar, porém, que os próprios gregos combinavam o exercício do...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No senso comum (e mesmo para muitos intelectuais e filósofos), fé e razão são conceitos contraditórios. Precisamos entender que não são.</p>
<p>No Ocidente, a razão já era usada na Grécia Antiga há mais de 2.500 anos para explicar o mundo através do pensamento lógico. Vale notar, porém, que os próprios gregos combinavam o exercício do pensamento lógico com a crença em deuses e no sagrado. A fé é certamente mais antiga que isso, e vem mudando ao longo dos séculos. Predominantemente expressa através das religiões tradicionais, ela hoje vive uma forte secularização, na qual muitas pessoas buscam novas formas de espiritualidade individual.</p>
<p>Um marco para a ideia de que fé e razão são caminhos contrários é o Iluminismo, movimento do século XVIII na Europa. Ele colocou a razão humana acima da fé e da tradição. O objetivo era iluminar a sociedade contra a ignorância, criticando o poder absoluto dos reis e a forte influência da Igreja. Essas ideias explodiram de vez na prática política durante a Revolução Francesa. Os revolucionários usaram a razão humana como base para derrubar o poder da Igreja Católica e criar uma nova ordem social. A razão foi colocada no trono como guia supremo da humanidade, em substituição à revelação divina.</p>
<p>No Espiritismo, fé e razão nunca estiveram separadas. Colocando a existência da alma e a de Deus (tradicionalmente, questões de fé) como “a base de todo o edifício” [1], Allan Kardec vai propor uma aliança entre a ciência e a religião [2] e defender a ideia de uma “fé raciocinada” [3]. A conhecida frase “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade” [4] e a “Profissão de fé raciocinada espírita” [5] sintetizam a posição da Doutrina Espírita.</p>
<p>Mais recentemente, a Igreja Católica também se voltou à discussão. A encíclica Fides et Ratio (Fé e Razão), publicada em 1998 pelo Papa João Paulo II, tem como motivação principal o combate à separação entre o saber científico-filosófico e a crença religiosa, buscando ressaltar a harmonia e a complementaridade entre ambos na busca por uma verdade universal. É interessante observar a convergência com a proposta espírita: embora partam de tradições distintas, ambas rejeitam a oposição entre fé e razão e defendem que a crença religiosa não precisa abrir mão do rigor do pensamento — a “fé raciocinada” de Kardec e a harmonia entre fé e razão da encíclica caminham, nesse ponto, na mesma direção.</p>
<p>Porém, como podemos entender de forma mais clara a associação de fé e razão?</p>
<p>Antes de tudo, é preciso compreender que elas se referem a dois aspectos diferentes da abordagem da realidade. Para ilustrar, suponhamos dois acontecimentos (dois fatos), “A” e “B”. A fé é a crença de que esses fatos estão associados. A razão é o método para investigar como os fatos estão associados. Por exemplo:</p>
<ul>
<li>Fato A: eu solto um copo de vidro; Fato B: o copo se despedaça no chão. Todo mundo acha óbvio que os dois fatos estão ligados (mesmo que durante milênios não soubéssemos explicar o porquê).</li>
</ul>
<p>Essa ideia “óbvia” é tratada no Espiritismo como um axioma (uma afirmação ou proposição aceita como verdadeira sem necessidade de demonstração): “Todo efeito tem uma causa”. Esse axioma vai ser estendido por Kardec para “Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente”. Desta forma, a ideia de causalidade está na base das proposições espíritas. Ela vai ser usada para justificar a existência de Deus, para explicar os fenômenos mediúnicos e para fundamentar a ideia das expiações associadas a erros do passado. Hoje, o pensamento sistêmico propõe que a causalidade é um fenômeno complexo, mas isso não invalida o axioma espírita.</p>
<p>Acontece que, diante de dois fatos (ou de um fato só, para o qual queremos alguma explicação), há outras perspectivas que devem ser consideradas, além da causalidade:</p>
<ul>
<li>a correlação: os dois fatos estão associados, mas um não causa o outro. Eles podem ter causas (ou efeitos) compartilhados, mas são independentes entre si;</li>
<li>a coincidência: os dois fatos não estão associados, mas acontecem no mesmo tempo ou lugar, dando a impressão de alguma ligação entre eles.</li>
</ul>
<p>Como distinguir essas situações — causalidade, correlação ou coincidência? É nesse ponto que entra a razão, como método de investigação. Uma vez identificada a necessidade de investigar, precisamos de ferramentas para conduzir esse exame de forma ordenada. A principal delas é o raciocínio lógico. Como exemplo do uso da lógica, temos a dedução (na qual se parte do geral para o específico — o famoso “Todo homem é mortal; Sócrates é homem; logo Sócrates é mortal”); a indução (do específico para o geral, trabalhando no campo das probabilidades) e a abdução (a criação da hipótese mais plausível para explicar um fato observado). De passagem, observemos que Kardec utilizou todos esses métodos na construção do Espiritismo.</p>
<p>Neste ponto, podemos entender claramente (espero) que a discussão entre fé e razão é diferente da discussão entre ciência e religião. Fé é a crença de que os fatos têm uma explicação. Razão é o método para buscar essas explicações. Por outro lado, ciência e religião são construções sociais. A diferença essencial entre as duas é em relação a quais fatos serão considerados. Enquanto a ciência se restringe a fatos observáveis pelos sentidos humanos, a religião vai focar em fatos que extrapolam a observação direta. Ambas se utilizam da fé e da razão para construir seus dogmas, suas teorias, suas hipóteses, suas conclusões. É sob essa perspectiva que não há contradição entre fé e razão, nem no fato de uma pessoa acreditar em ciência e ser religiosa.</p>
<p>A discussão então se move para outros pontos:</p>
<ul>
<li>quais fatos a pessoa acredita que são verdadeiros, ou seja, qual a forma de crença da pessoa? Nossas crenças atuais resultam de um desenvolvimento complexo, ocorrido nesta encarnação e baseado no desenvolvimento espiritual prévio. Quando se fala que “a fé é inata” ou que “a fé não se prescreve” [6], o que se quer dizer, muitas vezes, é que a “forma de crer” (assim como a “forma de pensar” ou a “forma de se comportar”) é uma característica da personalidade atual.</li>
<li>quais as explicações a pessoa acredita que são verdadeiras? E aqui se distingue o pensamento (racional) e a aceitação (dogmática). Isso não é uma divisão entre as pessoas — todos nós somos racionais para algumas coisas e dogmáticos para outras; é uma divisão que cada um faz para as coisas na sua vida individual. Não temos capacidade, nem tempo, nem disposição para raciocinar sobre tudo, então escolhemos algumas coisas para “pensar” e outras para “aceitar”, o que nos faz seres essencialmente contraditórios e difíceis de entender.</li>
</ul>
<p>Enfim, fé e razão não são conceitos opostos: são complementares, atuando em campos diferentes. Compreender tal relação certamente nos ajuda a ampliar nosso entendimento do mundo e de nós mesmos.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] O Livro dos Médiuns, Parte I, Capítulo I, Item 3.<br />
[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo I, Item 8.<br />
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIX, Item 7.<br />
[4] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Frontispício.<br />
[5] Obras Póstumas, Parte I, Texto 1.<br />
[6] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIX, Item 7.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Ely Edison Matos</strong></p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/fe-e-razao-a-luz-do-espiritismo/">Fé e razão à luz do Espiritismo</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Espiritismo e desinformação: o que observar na era digital</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:07:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos num tempo diferente, em que nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão complexo saber o que é verdade. Nas redes sociais, observamos vídeos e textos que se espalham em segundos, muitas vezes relacionando o Espiritismo com ideias que não fazem parte do seu ensinamento. Ao mesmo tempo que...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos num tempo diferente, em que nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão complexo saber o que é verdade. Nas redes sociais, observamos vídeos e textos que se espalham em segundos, muitas vezes relacionando o Espiritismo com ideias que não fazem parte do seu ensinamento.</p>
<p>Ao mesmo tempo que isso nos preocupa, também nos alerta, induzindo-nos a praticar duas virtudes que a Doutrina sempre nos ensinou: o bom senso e o estudo sério.</p>
<p>A questão não é negar o que é novidade, mas saber discernir o que de verdade vem da Codificação Kardequiana e o que é invenção, boato ou distorção.</p>
<p>Allan Kardec nos educou para buscarmos a razão, o questionamento honesto; ele mesmo não aceitou nada de imediato e colocou tudo o que viu e ouviu sob o filtro da lógica e da observação.</p>
<p>Por isso, disse que “fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade” [1]. Por vezes, encontramos nas redes sociais algumas “revelações” ou “novos conceitos” que confrontam os princípios fundamentais da Doutrina. Devemos analisar, usar de nossos conhecimentos, pesquisar a fundamentação e avaliar se está condizente com a Codificação. Se usarmos o bom senso citado anteriormente, a ideia vai resistir? A verdade não teme a crítica honesta.</p>
<p>Se não tomarmos cuidado e não usarmos a atenção para os detalhes, podemos nos enveredar por desinformações que nos confundem. Há quem pense que o Espiritismo seja um amontoado de superstições, que promove previsões e soluções mágicas para os problemas da vida. Há, ainda, aqueles que misturam ideias espíritas com outras crenças e confundem ainda mais. E, pior, há os que distorcem os textos originais espíritas e os adaptam a outro contexto.</p>
<p>Em todas essas situações, há uma maneira de evitarmos essa desinformação: voltar às fontes. Estudar as obras básicas, conhecer a codificação espírita e buscar orientação em pessoas e grupos que levam o estudo e a pesquisa muito a sério.</p>
<p>Jesus nos ensinou a não nos deixarmos enganar: “Muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” [2]; e nos ensinou, ainda, que seria preciso vigiar e orar para não cair em ilusão, e que deveríamos conhecer a árvore pelo fruto.</p>
<p>A questão da desinformação não é apanágio somente da má-fé. Às vezes, pessoas bem-intencionadas, mas mal estudadas, podem compartilhar o que leram ou ouviram e repassar sem a devida análise. Porém, espalhar uma informação falsa ou distorcida, mesmo sem intenção ruim, é desrespeito à verdade e aos outros. O ideal é pensar, antes de postar, no real significado do que se lê ou ouve. O melhor é lermos o texto ou ouvirmos o áudio e perguntarmos se o conteúdo é condizente com a Doutrina. Vai ajudar ou confundir as pessoas? Isso se chama responsabilidade.</p>
<p>A era digital nos facilita estudar com mais precisão e profundidade, buscar fontes e trocar ideias com pessoas, mesmo à distância. O Espiritismo é progressista, aberto ao conhecimento e ao avanço. Que possamos fazer a nossa parte, conferindo com espírito crítico cada texto, mensagem ou vídeo que recebamos, mas com amorosidade e o coração isento de julgamentos.</p>
<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>
<p>[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIX, Frontispício.<br />
[2] Mateus, 24:5.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-text-align-right"><strong>Fernando Emílio Ferraz Santo</strong></p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/09/04/espiritismo-e-desinformacao-o-que-observar-na-era-digital/">Espiritismo e desinformação: o que observar na era digital</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Obreiros da Vida Eterna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[gisele]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 13:08:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A partir da premissa de que a morte definitiva não existe e de que devemos sempre evoluir, o Espírito André Luiz apresenta o trabalho de amigos espirituais que viajam para auxiliar na transição para o plano superior de Espíritos dedicados ao bem. É nesta nova realidade que os seres desencarnados devem se preparar para voltar...</p>
<p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/08/24/obreiros-da-vida-eterna/">Obreiros da Vida Eterna</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A partir da premissa de que a morte definitiva não existe e de que devemos sempre evoluir, o Espírito André Luiz apresenta o trabalho de amigos espirituais que viajam para auxiliar na transição para o plano superior de Espíritos dedicados ao bem. É nesta nova realidade que os seres desencarnados devem se preparar para voltar à Terra e continuar sua jornada rumo ao crescimento moral. Em 20 capítulos de profundos exemplos de princípios da Doutrina Espírita, Obreiros da vida eterna mostra como são imensas as dimensões vibratórias do Universo e como é essencial o aperfeiçoamento íntimo, o amparo amigo e o verdadeiro serviço para alcançar o equilíbrio pessoal.</p><p>The post <a href="https://www.feak.org/2026/08/24/obreiros-da-vida-eterna/">Obreiros da Vida Eterna</a> first appeared on <a href="https://www.feak.org">FEAK - Fundação Espírita Allan Kardec - Juiz de Fora MG</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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