Tema que desafia todas as famílias com filhos, a importância da vivência espiritual na infância à luz da Doutrina Espírita remete à forma de condução das crianças e dos jovens no conhecimento e principalmente na prática.
De acordo com a voluntária da FEAK, Angélica A. Silva de Almeida, o Espiritismo não é só uma teoria, ele precisa ser vivenciado a cada dia. Foi assim que o tema foi tratado em sua própria casa com seus filhos desde pequenos. “Sempre procuramos fazer esse questionamento, ter essa conversa em todos os momentos da vida, seja na refeição, em algum acontecimento na escola ou algum assunto que acontecia na evangelização. Estamos sempre abordando o Espiritismo através dos exemplos e fazendo os meninos refletirem sobre a importância não só de ler, mas de colocar os ensinamentos na própria vida.” Outro ponto importante destacado por Angélica é o exemplo, porque os pais e/ou responsáveis não podem ensinar e fazer diferente.
Filho de Angélica, Caio Almeida, afirma que “uma metáfora que eu gosto bastante é a da massinha. É muito mais fácil moldá-la quando está fresca, do que quando já está dura e ressecada. Da mesma forma, se, desde pequenos, nós já vamos inserindo bons conceitos, bons valores, a boa doutrina nas crianças, é muito mais fácil moldar seu caráter. Afinal, é para isso que o espírito reencarna, para poder evoluir”.
Criado dentro da Doutrina Espírita, para Caio não há uma idade certa a partir da qual a criança compreende exatamente o que nós estamos falando, mas, por via das dúvidas, isso deve começar desde muito cedo, até mesmo antes do nascimento. “Ela vai entendendo e se aperfeiçoando à medida que vai crescendo e se desenvolvendo. A imersão com as crianças na doutrina permite já terem os preceitos, para que, na hora que tiverem de fazer escolhas durante a vida, elas as façam voltadas para as boas escolhas.” Por isso também, Angélica destaca a importância de os pais levarem os filhos para a evangelização desde cedo.
Tanto para Angélica quanto para Caio, a evangelização espírita infantil contribui para a formação de espíritos mais conscientes e responsáveis no futuro. “É dever dos pais orientarem aquele espírito. É importante lembrar da responsabilidade espiritual que os pais assumem com as crianças que eles vão receber”, destacam.
Segundo Caio, “há várias pesquisas acadêmicas mostrando que a frequência semanal a um grupo religioso é o fator mais favorável para várias coisas, como satisfação, qualidade de vida, felicidade, proporcionando menos depressão, menos ansiedade e menor taxa de suicídio. O mais importante não é a pessoa se declarar espírita e sim frequentar, conviver com outras pessoas, tomar um passe. Já as crianças que frequentam grupos religiosos registram menor consumo de álcool e drogas na fase adulta, menor exposição a sexo precoce, menor taxa de gravidez na adolescência, menor chance de sofrerem abuso”. Esse tema, inclusive, invadiu a mídia nos últimos dias, trazendo um grande alerta para os pais.
Para demonstrar como a religiosidade é um grande fator protetor, Caio citou um estudo com 89 mil enfermeiras nos Estados Unidos, que demonstrou que aquelas que frequentavam um grupo religioso uma vez ou mais por semana tinham 80% menos chances de suicídio. “As campanhas de conscientização, de redução da depressão são importantes, mas o maior fator protetor é a frequência religiosa”, reitera.
Outro estudo citado por Caio foi feito com crianças do sexto ano e divulgado em julho. Nele, os pesquisadores elaboraram uma lista com dez temas, como Deus, religião, videogame, computador, celular, família, entre outros, e pediram para as crianças ranquearem do mais importante para o menos importante. Os pais receberam a mesma lista e o pedido de identificarem o que acreditavam que o filho acharia mais importante. Na hora dos resultados, os pais achavam que, para as crianças, o mais importante era o futebol, o videogame, o celular e, lá embaixo, a família e Deus. Já as crianças, pelo contrário, enumeraram Deus e a família acima de tudo.
Muitas vezes, a correria da vida moderna é a desculpa usada pelos pais para negligenciar a vivência religiosa dos filhos e deles próprios. Para Angélica, os pais ou os responsáveis podem equilibrar essa rotina moderna, muitas vezes corrida, com o cultivo da espiritualidade na vida das crianças. “A pessoa diz que nunca tem tempo para ir em uma casa espírita, mas vai ao shopping todo final de semana, vai a restaurantes, fica no celular, nas redes sociais ou fazendo outras coisas”. Para resolver essa questão da falta de tempo, as casas espíritas oferecem reuniões em vários dias e horários diferentes. A FEAK inclusive transmite as reuniões públicas em seu canal no Youtube (@FeakTV). “Você pode estudar os ensinamentos de Kardec nem que seja meia hora por dia em casa, que é a proposta da FEAK. É uma questão de prioridade. Com as crianças pequenas, você pode aproveitar a literatura infantil que é tão interessante. Temos, por exemplo, um Evangelho para crianças”, sugere Angélica.
Ela ressalta a importância da educação na evolução espiritual dos filhos. “Nós, que sabemos que não temos uma única vida, que trazemos uma bagagem para melhorar, que sabemos que os pais vêm com a missão de entregar os filhos para o mundo espiritual melhores do que receberam, não podemos descuidar disso”.
Caio conclui que “não educar dá muito mais trabalho do que educar uma criança direito. Se você não educar, vai ser mais fácil no começo, mas depois vai piorar. Além disso, esse filho vai ter eternamente uma dificuldade extra e vai ser responsabilidade espiritual dos pais que deixaram aquele filho se perder”.
