Olá, pessoal da FEAK! É uma alegria enorme estar aqui com vocês novamente. Hoje, vamos falar sobre a Páscoa.
Em meio a tanto chocolate, ovos e coelhos, a gente, às vezes, se perde no meio dessa mistura de culturas que já dura uns 8 mil anos. Afinal, o que Jesus, o povo judeu, uma deusa nórdica e um coelho têm em comum? Vamos fazer esse caminho juntos, ligando a história aos ensinamentos que encontramos nas obras de Allan Kardec.
As origens: da primavera ao coelhinho
Muito antes de Jesus ou de Moisés, lá no Hemisfério Norte, celebrava-se a deusa Ostera (ou Ester), a deusa da primavera. Para aqueles povos que sofriam com o inverno rigoroso, a primavera era o símbolo do renascimento — as árvores sem folhas “voltavam à vida”.
Dessa época vem a lenda do coelho que, grato à deusa, trazia ovos decorados como símbolo de fertilidade e vida nova. Até o chocolate entrou na história por uma questão prática: os ovos de verdade quebravam fácil nas brincadeiras das crianças, e o chocolate durava mais!.
A passagem: libertação e o cordeiro
Já na tradição judaica, a Páscoa é o Pesach, que significa “passagem” ou “pulo”. Ela celebra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Naquela época, havia o ritual do cordeiro, que era criado como um membro da família antes de ser sacrificado.
Jesus, com sua inteligência sublime, ressignificou isso. Ele conviveu com seus discípulos como o “cordeiro” que partilha o amor, mas veio nos mostrar que o sacrifício de sangue não era necessário. Na Santa Ceia, Ele ensinou que estaria presente com eles o tempo todo como espírito, pois a vida não cessa.
A visão espírita: o que importa é o coração
Aqui entra o ponto fundamental que aprendemos no Espiritismo. Muitas vezes nos preocupamos com datas exatas ou rituais exteriores, mas Allan Kardec nos traz uma reflexão importante em O Livro dos Espíritos.
Na questão 323, ao ser questionado sobre visitas a túmulos e preces, os espíritos respondem que o lugar e a forma exterior pouco importam, pois o que vale é a intenção e o coração. Transportando isso para a nossa Páscoa: não importa se a data está “correta” no calendário ou se você está comendo chocolate; o que importa é estarmos reunidos em espírito com Jesus.
Para nós, a ressurreição de Jesus é entendida como a sua apresentação em espírito, provando que a morte é apenas uma passagem.
Páscoa no dia a dia: tempo de qualidade
A verdadeira Páscoa é o renascimento interior. É o que eu tento viver lá em casa com minha filha. A gente espalha talco pela casa, faz as pegadinhas do coelho e ela se diverte não pelo tamanho do ovo, mas pelo tempo de qualidade que passamos juntos.
Não adianta querer “tempo de qualidade” uma vez por ano se não cultivamos o “tempo de quantidade” e a sintonia diária com quem amamos. Ser cristão e espírita é exercitar a fraternidade e o controle sobre nossas imperfeições, aproveitando cada momento para florescer.
Conclusão
Que nesta Páscoa — e em todos os dias — possamos celebrar a vida espiritual. Que possamos transbordar luz, perdoar como Jesus perdoou Pedro e Judas, e entender que a renovação começa dentro de cada um de nós.
Como nos ensina a Doutrina Codificada por Kardec, a fé raciocinada nos dá o consolo e as respostas para as grandes perguntas da vida. Que a alegria de estarmos vivos e o compromisso com o amor ao próximo sejam o nosso verdadeiro chocolate de todo dia.
Muita paz a todos!
Fábio Araújo